sábado, 21 de junho de 2008

RECOMENDADO.....VERSUS!




Versus




As personagens do filme “Versus – A Ressurreição” não possuem nomes que as identifiquem, e apenas o herói da estória, interpretado por Tak Sakaguchi, tem uma breve referência como o “prisioneiro KSC2-303”. Tal poderá levantar dificuldades na leitura da sinopse, mas tentaremos dar o nosso melhor, como de costume.


Há 500 anos atrás, na “Floresta da Ressureição”, um jovem samurai luta contra um bando de zombies, conseguindo leva-los de vencida com a sua “katana”. A vitória não dura muito, pois o guerreiro depara-se com uma estranha personagem (Hideo Sakaki) que o assassina impiedosamente. Tudo isto é assistido com atenção por outro samurai (Tak Sakaguchi). De volta ao presente, dois condenados fogem da prisão, e embrenham-se numa estranha floresta, tendo em vista alcançarem um grupo de yakuzas que os ajudem a completar a fuga.



Os gangsters esperam pelos foragidos, mas recusam-se a arredar pé, enquanto o chefe não chega. Um dos prisioneiros, “KSC2-303” (de novo Tak Sakaguchi), envolve-se numa altercação com os yakuzas, devido a uma rapariga (Chieko Misaka) que estes raptaram e decide, sem mais, fugir com ela pela misteriosa floresta.


Os yakuzas não se deixam ficar e resolvem ir no encalço dos jovens. Cedo o casal descobre que a floresta tem os seus tenebrosos segredos, encontrando-se infestada de zombies sedentos de sangue. O número de mortos-vivos aumenta exponencialmente, à medida que a matança grassa, e os falecidos acordam completamente alterados.


Quando o chefe Yakuza (outra vez Hideo Sakaki) finalmente chega ao local, segredos imemoriais começam a ser desvendados, e a verdade começa a vir à tona, estando intimamente ligada a um portal para um mundo paralelo que se encontra na floresta, e a um verdadeiro duelo imortal em que são intervenientes principais “KSC2-303” e o líder dos gangsters, constituindo a rapariga a chave essencial para a resolução da trama.


Com um misto de litros de sangue a jorrar, toneladas de violência gratuita, comédia q.b., zombies, uma floresta sinistra e misticismo a rodos, chega-nos um dos verdadeiros itens cinematográficos de culto do reino do sol nascente, “Versus – A Ressurreição”. Sob a chancela do competente realizador Ryuhei Kitamura, responsável, entre outros, por “Aragami”, “Azumi, a Assassina” e “Godzilla: Final Wars”, obtemos um filme que nos deixa sem fôlego quase do princípio ao fim.




“Versus” tem o condão de congregar os amantes de vários estilos cinematográficos distintos, que vão desde o puro “gore”, a acção, as artes marciais, ao “chambara”, o oculto, etc. No entanto, devido à sua grande versatilidade e porventura a uma perigosa e pouco ortodoxa fusão de géneros, poderá afastar os mais tradicionalistas do seu visionamento. Quanto a mim, tenho a dizer que agradou de sobremaneira!



As cenas de luta são de ver e chorar por mais, quer se consubstanciem em trocas de golpes de espada ou de “pancada” à moda antiga (com auxílio de alguns guindastes admita-se), ou duelos infernais de tiroteio “à John Woo” em que as balas parecem nunca acabar. Não amiúde acontece tudo ao mesmo tempo, ou seja, katana, punhos, pés e balas! Estamos pois, de certa forma, perante um verdadeiro “Gun-fu”, se me é permitida a designação.



A caracterização das personagens encontra-se bastante boa, e só não vai mais além, pois em certos momentos podemos nos aperceber que estamos perante um filme que não teve um orçamento desafogado. Mesmo assim, os zombies estão aterradores quanto baste, e o dinheiro que havia deve ter ido metade para comprar litros e litros de sangue falso!


O guarda-roupa está muito “cool”, com o negro e o cabedal a marcarem a presença dominante, num registo que se assemelha a uma trilogia dos irmãos Wachowski que todos nós bem conhecemos. O cenário resume-se praticamente a uma floresta que parece ter sido retirada de “Blair Witch”, e que se assume como um fundo verdadeiramente claustrofóbico, apesar de ser um espaço aberto e ao ar livre.


A certa altura ficamos com a sensação que só existe a vegetação, as personagens e absolutamente nada mais! A banda-sonora consiste sobretudo em música electrónica, muito estilo “techno”, rápido o suficiente para acentuar as partes de acção. As melodias tradicionais marcam igualmente a sua presença, nos recuos da estória até ao Japão feudal.


Contudo, o realce aqui vai para os sons de fundo que acompanham o deambular das personagens pela “Floresta da Ressurreição”, que fazem aumentar o sentimento de reclusão e de suspense. O fim revela uma grande surpresa, e mais não digo! Este misto de “Evil Dead”, “Highlander”, “Matrix” e sei lá mais o quê, convém não perder!


SUMMER SNOW!




Summer Snow




Natsuo é o mais velho de três irmãos, que, após a morte dos seus pais, ficaram responsáveis pela loja de bicicletas da família. Chika, a irmã mais nova, e Jun irmão do meio ainda frequentam o liceu, pelo que contribuem com uma série de imprevistos típicos da adolescência, como o namoro às escondidas de Chika ou a falta de confiança de Jun, provocada pelos problemas de audição e, consequentemente de fala.



A família também é muito ligada ao mar, sendo que os dois irmãos rapazes fazem muitas vezes exploração submarina. Yuki é uma jovem que recentemente arranjou um trabalho como bancária, mas que sofre de um grave problema de coração.


À custa disso, o seu pai, um polícia, restringe-a de fazer certas actividades que a possam por em risco. Um dia, o destino quis juntar Yuki a Natsuo e a partir daí nunca mais se largaram, dada a generosidade e boa vontade do rapaz. Como tal, convence-a a ir ao mar com ele, parra além de lhe mostrar uma vida mais activa e diferente do que ela estava habituada. Mas, por vezes, há obstáculos que não podem ser derrubados, nem com muito amor à mistura.


Esta é a permissa base deste dorama, que se revelou fórmula de sucesso em 2000, e que o tornou num dos mais famosos de sempre, colando ainda hoje muita gente à televisão. Outro ponto de sucesso foram os actores, pois, embora muitos deles estivessem em inicio de carreira, demonstram grande qualidade e maturidade na representação. Para muitos deles, também este dorama foi fundamental para o impulso nas suas carreiras.


A atriz que faz de papel de Yuki, Hirosue ryoko, goza de alguma popularidade tanto noi Japão como no Ocidente, graças ao filme francês Wasabi, onde contracena com Jean Reno. Mas se nesse filme o seu papel era bem mais rebelde, em Summer Snow o caso muda de figura, sendo uma das personagens com mais "jeito" para as cenas dramáticas. Por outro lado, Natsuo (Tsuyoshi Domoto, membro dos Kinki Kids, uma boysband famosa no Japão), desempenha brilhantemente as situações mais cómicas da série, gesticulando e exprimindo-se muito naturalmente.



A série vai evoluindo ao longo dos episódios, dando espaço também às histórias e personagens secundárias, como é o caso da relação inicialmente secreta de Chika e Hiroto, um amigo da família que passa a maior parte do tempo em casa deles. Ainda que estas duas personagens tenham interpretações fracas, não deixam de equilibrar a história e ter algum brilho em algumas cenas.


Por falar em brilho, Jun o irmão do meio, vai perdendo importância ao longo dos episódios, sendo o seu ponto alto nos primeiros episódios da série. Contudo, trata-se apenas do desenrolar da história e não da qualidade do actor Oguri Shun, que se mostra muito competente na sua representação de simular a fala atrofiada do personagem.



Ainda temos a personagem desempenhada por Nakamura Shunsuke, Tachibana Seiji é de certeza o personagem que mais odiarão em Summer Snow. Ele é o vilão. Seiji fará tudo para impedir que Natsuo fique com Yuki, acusando-o várias vezes de a por em risco de vida. Amigo de infância de Yuki, é agora um médico que acha melhor ela ficar com ele por perto dada a sua debilidade.



Outro ponto forte de Summer Snow é a banda sonora. Para além de um belissimo tema da autoria de Zamfir, conta com o tema de encerramento pelos Kinki Kids, a banda de Tsuyoshi Domoto como referi anteriormente. É bastante certo que fiquem muito ligados às personagens, pelo menos o suficiente para chocarem com o dramático final.



Contudo, Summer Snow consegue arrancar muitas gargalhadas e demonstrar um sentido de humor e boa dispoisção genuínos, ao longo dos 11 episódios. Totalmente recomendado!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

SAILORMOON LIVE ACTION....HUMMM...




Sailormoon Live Action



Desde Fevereiro de 1997 que Naoko Takeuchi não lançava nada relacionado com o seu maior êxito de toda a sua carreira, a série Bishoujo Senshi SailorMoon, mas no ano passado mês de Junho (2003) e aproveitando o décimo aniversário da série, Naoko Takeuchi decidiu dar aos fãs uma "nova" série de Sailormoon (As Navegantes da Lua, na tradução portuguesa).


Muitos fãs esperavam então pelo regresso da Coelhinha da Lua (Tsukino Usagi) e das suas amigas inseparáveis Ami, Rei, Makoto e Minako, mas ninguém esperava por aquilo que aconteceu... as navegantes passaram da versão em papel e animada para uma série com personagens de pele e osso.


SailorMoon estreou no Japão no dia 4 de Outubro de 2003 no canal de televisão TBS, com actores e actrizes entre os 15 e 17 anos, a série tem nos principais papeis Miyu Sawai (Tsukino Usagi) que foi a escolhida com alguma surpresa para ser a protagonista de um papel tão importante, isto porque a actriz não tinha qualquer experiência em televisão até à altura.


As outras navegantes são Chisaki Hama (Sailor Mercury), Keiko Kitagawa (Sailor Mars), Myuu Azama (Sailor Jupiter), Ayaka Komatsu (Sailor Venus) e Chiba Mamoru (A.K.A. Tuxedo Mask), que é interpretado por um rapaz de 20 anos chamado Jyoji Shibue.



No planeta Terra ninguém sabe de nada e todos foram reencarnados em humanos, Princesa Serenity, a princesa do Amor reencarnou em Tsukino Usagi (que neste live-action está menos chorona e mais corajosa que a versão animada ou manga), o príncipe Endymion em Mamoru Chiba (Tuxedo Kamen) e assim sucessivamente.


A história começa tal e qual o inicio do manga, Usagi continua a seguir pela televisão as aventuras do seu ídolo, Sailor-V. Mais tarde, aparece Luna, cujo a voz é dada por Keiko Han. É com este personagem que aparecem as primeiras diferenças, ou melhor novidades da série.



Quando todos esperavamos ver um gato verdadeiro, Luna aparece-nos em duas versões uma totalmente em 3D e outras vezes em peluche. Luna revela a Usagi qual a sua missão na Terra, e oferece-lhe um artefacto para que ela possa transformar-se em Sailor Moon e assim poder inciar a sua missão de encontrar a princesa e conseguir o "Cristal de Prata" que é muito cobiçado pela vilã da série, a Queen Beryl (Raínha Beryl).


Várias foram as adaptações que a esta nova abordagem da série sofreu, contudo a história tenta ao máximo ser fiel ao manga, o espírito e a mensagem continuam a ser a mesma, a amizade e a união entre as pessoas.


As novas situações e adpatções, são em primeiro lugar um refrescar de tendências e atitudes mais actuais entre a juventude japonesa, o uso do telemóvel é uma dessas tendências. O outro aspecto é a inevitavel manobra de marketing (tão comum no Japão e não só) para criar novos produtos de merchandise dirigidas para o público mais jovem.


Uma dessas alterações foi a inclusão de acessórios "mágicos" para cada uma das Navegantes com a excepção de Sailor Moon. Braceletes, pulseiras, estojos de maquilhagem, telemóveis, foram alguns dos artefactos dados ás navegantes para poderem usá-los nas suas transformações. É também no momento da transformação que as raparigas normais, mudam as cores dos seus cabelos ficando assim iguais à série animada.


Outra das novidades no LiveAction, é a troca do "quartel general" das Navegantes, enquanto que no manga/anime o local secreto para as reuniões era uma casa de máquinas, agora é uma sala de karaoke. Sem dúvida que esta alteração é mais uma manobra de marketing, isto porque as músicas que as navegantes cantam para passar o tempo são os "hits" de Sailor Vénus (Aino Minako) e que já existem editados em formato de single.



A música do live-action talvez seja o aspecto mais fraco da série. Da banda sonora quase que só nos apercebemos do "opening" e "ending" que são duas músicas em versão pop bastante "catchy". A grande falha do live-action é não terem incluído o tema Moonlight Densetsu, um dos temas mais celeberizado no anime e conhecido pelos fãs de SailorMoon não aparece no live-action, sendo substituída por uma melodia que está longe de ser tão interessante como o clássico Moonlight Desetsu.




Relativamente ao elenco estar bastante bom e com a maior parte dos papeis cairem que nem uma luva aos actores escolhidos, alguns aspectos deixam um bocado a desejar para os verdadeiros fãs da série. Chiba Mamoru (o namorado de Tsukino Usagi) tem a representação mais apagada e falta-lhe o charme que o caracterizava no anime quando atirava as suas rosas ao som de música espanhola.



Jedite (um dos subditos da Raínha Beryl) também ficou desfavorecido no live-action. No anime e manga Jedite tinha bastante presença, aqui o seu personagem foi caracterizado de uma forma exagerada com uniforme enfeitado, peruca e lentes de contacto o que o torna demasiado "falso".



A série está mais direcionada para o sexo feminino talvez por isso tenha um estilo mais "light" do que os clássicos Super Sentai, cheios de robots gigantes, explosões e monstros. Mesmo assim e apesar de algumas críticas, este Sailor Moon Live Action consegue atrir bastante público não só os mais novos e fãs de Sailor Moon, mas também os fãs do Tokusatsu.


THE GREAT YOKAI WAR!



The Great Yokai War




O que será que acontece à lembrança das coisas que a certa altura abandonamos? Poderá haver aí uma certa mistura de desgosto e talvez alguma raiva? Sendo esse o caso, o que faria um ser presente noutro plano e que não apreciasse muito a presença humana neste mundo...?


Tadashi (Ryonosuke Kamiki foi "seiyuu" em Howl's Moving Castle e participou em Survive Style 5+) vive com a mãe (Kaho Minami - Godzilla, Mothra and King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack) e o avô (Bunta Sugawara - Tekken, The Man Who Stole The Sun) numa povoação situada nas montanhas.


Aborrecido da vida monótona que leva e com saudades da irmã (Riko Narumi) que vive com o pai (Kanji Tsuda - Zatoichi (versão de Takeshi Kitano), Dolls, Audition) em Tóquio, o rapaz passa os dias com a cabeça no ar. Para animá-lo o avô decide levá-lo a uma festival tradicional, onde ele é escolhido para ser o cavaleiro do Kirin (um ser fantástico que é o defensor da justiça, ajudando os honrosos e castigando os perversos, segundo a mitologia japonesa), e por conseguinte o seu cavaleiro será também o defensor de todos esses ideais.


Tadashi julgará que é apenas algo simbólico, uma brincadeira... até que conhece uns amistosos yokai (criaturas fantásticas do folclore e imaginário japonês) que o colocarão a par do plano do sinistro Lord Sato (Etushi Toyokawa). Apesar da sua forma humana, Sato tornou-se num demónio cheio de raiva e tem em andamento um plano para acabar com a vida humana, usando o Yomotsumano(que é apenas todo o ódio libertado pela própria humanidade) e pervertendo os espíritos de inocentes yokai, transformando-os em grotescas criaturas, meio monstros, meio máquinas cuja único fim é destruir toda a vida existente na terra.


Tadashi quer queira quer não, é o escolhido para travar Lord Sato, mas terá uma feroz adversária em Agi, (Chiaki Kuriama - participou em Ju-On: The Curse, Battle Royale, Azumi 2) a sua leal seguidora que apesar de ser uma yokai dará a sua vida para defender Sato...


Ele contará com Shojo, o espírito do Kirin (Masaomi Kondo), o kappa Kawataro (Sadao Abe - Uzumaki, Kamikaze Girls) e Kawahime, a Princesa do Rio (Mai Takahashi) para o ajudarem numa missão que à partida está condenada, pois o rapaz não está completamente convencido do seu destino assim como os próprios yokai perderam a fé na raça humana há bastante tempo, apenas o esforço e coragem desta irmandade reatará uma união íntima e mística entre o homem e os seres místicos. "E a vingança não será apenas uma prova de que és...humano?" Realizado por Takashi Miike e adaptado do livro de Hiroshi Aramata, com a adaptação a cargo do próprio Miike e também de Mitshuiko Sawamura e Takehiko Iwakura.


Um filme engraçado, com bastantes momentos cómicos (com aqueles pormenores inconfundíveis que só o Takashi Miike sabe proporcionar) e acção quanto baste. Tem alguma violência sim, mas para quem conhece os trabalhos anteriores de Takashi Miike (Ichi The Killer, One Missed Call, Audition, Full Metal Yakuza e Imprint, por exemplo, embora já tenha realizado outros filmes mais serenos como Zebraman e City Of The Lost Souls ) ... dirá que isto é coisa para crianças (e segundo o que li em alguns fóruns e sites de crítica...este é um filme para entrenimento familiar...).


A banda sonora, que está a cargo de Koji Endo, está bem feita, adequada a um filme de aventuras. É possível encontrar umas similaridades com o filme "The Never Ending Story", se pensarmos no que a perda da inocência das pessoas pode criar aos mundos a que nos habituámos desde pequenos... assim como aos seus habitantes.

FREETERS & NEET: MAIS UM GRUPO SOCIAL NIPÔNICO!



Freeters & NEET



Surgidos como resultado da crise económica que varreu o Japão e sua filosofia de emprego vitalício, nos anos 90, os «freeters» (uma palavra formada pela palavra inglesa «free» e «Arbeiter», trabalhador, em alemão) flutuam entre trabalhos temporários. Com salários de cerca de mil ienes (6 Euros) por hora, muitas vezes encontram dificuldades para pagar aluguer na capital japonesa (Tóquio), uma das cidades mais caras do mundo, onde um pequeno apartamento de 30 metros quadrados num bairro central pode facilmente custar 150 mil ienes (1,000 Euros) por mês.



Atualmente a economia no Japão está a recuperar, mas muitos dos "freeters" não conseguem aproveitar esta maré, depois de vários anos como trabalhadores sem quaisquer qualificações. A maioria das empresas em expansão prefere recrutar jovens acabados de licenciar, ou transferir os empregos básicos a países de baixos salários, como a China.


O Instituto do Trabalho japonês classifica e divide este fenómeno dos "freeter" em três grupos, o tipo moratorium que esperam por começar uma carreira, os "perseguidores de sonhos", e os do tipo "sem alternativa". Os dois primeiros tipos escolhem deliberadamente não se juntarem ao grupo das empresas rigorosas e conservadoras, em vez disso preferem tirar umas "férias" para gozarem a vida ou tentar realizar os seus sonhos que são incompatíveis com o standart de uma vida laboral japonesa.


Muitos "freeters" esperam começar a sua vida de trabalho mais tarde de forma a conseguirem um bom ordenado para suportar a família, enquanto que as mulheres esperam casar com um marido que esteja financeiramente seguro para que também possa asegurar a vida familiar. Já os do tipo "sem alternativa" não conseguem encontrar trabalho depois de terem terminado a escola ou universidade, e consequentemente aceitam trabalhos de ordenados baixos para terem em troca algum dinheiro.


Toda esta situação leva a que a maior parte destes "freeters", com idades entre 25 e 30 anos de ambos os sexos sejam considerados uns sem-abrigo. Apesar disso, eles vestem-se cuidadosamente tratando da sua aparência e conscientes da moda, parecendo um típico morador de Tóquio.


Escolhem os cybercafés por ser mais barato que os hoteis, e com as mesmas ou melhores condições do que as que os hoteis oferecem: acesso à internet, uma boa quantidade de mangá, micro-ondas e um chuveiro para o banho matinal antes de começar mais um dia de trabalho temporário.


Outra situação ainda mais extrema que ocorre no Japão, são as pessoas que optam mesmo por ficarem "sem-abrigo". A este estado foi dado o nome de NEET, uma classificação criada inicialmente pelo governo no Reino Unido, mas que rapidamente passou a ser utilizada em outros países, inclusive o Japão.


A sigla é: "Not currently engaged in Employment, Education or Training", (em português seria algo como "Actualmente sem Emprego, Educação, e Estágio"). No Japão, o termo compreende pessoas de idade entre 15 e 34 anos que são desempregadas, solteiras, não registradas na escola, não procuram trabalho ou estágios profissionais necessários para trabalhar.


Segundo alguns estudiosos consideram-nos um caso patológico, estas pessoas estão incapacitadas para interagir com as pessoas que as rodeiam, não é que não queiram tabalhar, apenas não conseguem fazê-lo. Se os NEET são a rebelião silenciosa, os “freeters” são a parte activa desta rebelião, e dizem à sociedade que não pretendem trabalhar uma vida inteira e que não querem trabalhar como máquinas, são seres humanos e querem viver como tal.


A preocupação do governo não está centrada no indíviduo, seja ele um NEET ou um "freeter", mas sim no aspecto económico do país. O maior pico registado até hoje foi de 2,17 milhões de trabalhadores temporários em 2003. A meta do governo é cortar o número de freeters para 1,74 milhões até 2010.

domingo, 8 de junho de 2008

SEPPUKU!





Seppuku




Normalmente o termo utilizado para o ritual suicida é popularmente de harakiri que literalmente significa "cortar a barriga" ou "cortar o estômago", no entanto, seppuku é outro termo que pode ser utilizado para esta prática.


Este ritual era praticado pelos samurais. Eles deviam ajoelhar-se e enfiar o seu tanto (espada japonesa) na barriga, no lado esquerdo, e cortá-la então, até ao lado direito deixando assim as viceras expostas para mostrar sua pureza de carácter.


Um dos motivos para que os samurais cometessem este acto estava na falha de servir o seu senhor ou perda da honra por qualquer motivo. Se o senhor do samurai é assassinado e o samurai não comete seppuku, nenhum outro senhor irá contratá-lo e ele ficará conhecido como ronin.


Seppuku é a parte chave do Bushido, o código dos guerreiros samurais. Era utilizado pelos guerreiros para evitar cair nas mãos dos inimigos e para atenuar a vergonha que isso causaria.

Os samurais podiam também receber ordens dos daimyo (senhores feu

dais) para que cometessem seppuku. Guerreiros que caíssem em desgraça também tinham permissão por vezes para cometer seppuku ao invés de serem executados. Como o principal ponto do acto era a restauração ou proteção da honra do guerreiro, os que não pertenciam a ordem dos samurais não eram obrigados e não se esperava que cometessem seppuku.


Samurais mulheres somente poderiam cometer esse acto com permissão. As mulheres que seguiam o bushido realizavam uma práctica similar denominada jigai. A principal diferença com o Seppuku é que se fazia um corte no pescoço, seccionando a artéria carótida com uma daga chamada Kwaiken.


Previamente, a mulher devia atar-se com uma corda os joelhos para não ter a desonra de morrer com as pernas abertas ao cair. No mundo dos guerreiros, seppuku era um feito de bravura que era admirado num samurai que sabia haver sido derrotado, caído em desgraça ou mortalmente ferido.



Significava que ele poderia terminar seus dias com os seus erros apagados e sua reputação não apenas intacta como engrandecida. O corte do abdômen liberava o espírito do samurai da forma mais dramática, sendo uma forma extremamente dolorosa e desagradável de morrer, e algumas vezes o samurai que o fazia pedia a um companheiro leal que lhe cortasse a cabeça no momento de agonia.


Algumas vezes o Daimyo era chamado para fazer um seppuku como base para um acordo de paz. Isso deveria enfraquecer o clã derrotado de forma que a resistência deveria efectivamente cessar. Toyotomi Hideyoshi usou o suicídio de um inimigo nesse sentido várias ocasi›es, a mais dramática das quais encerrou a dinastia daimyo definitivamente quando Hojo foi derrotado em Odawara em 1590.



Hideyoshi insitiu no suicídio do Daimyo Hojo Ujimasa, e no exilio de seu filho Ujinao. Com um corte de uma espada a mais poderosa família de Daimyos do Japão teve o seu fim. O seppuku está inevitavelmente ligado à história dos "47 Ronin", a obra literária medieval mais importante do Japão, imortalizada pelo teatro tradicional, o kabuki.



O seppuku como castigo judicial foi oficialmente proíbido no Japão em 1873, apesar desta prática não ter terminado. Foram documentados vários casos de seppuku depois desta data, incluindo vários militares em 1895 como protesto pela devolução do território conquistado à China, o General Maresuke Nogi (educador do Imperador Hirohito) e a sua esposa, a morte do Imperador Meiji em 1912, e os muitos soldados e cívis que preferiram morrer do que aceitar a rendição na Segunda Grande Guerra.



Em 1970, o famoso escritor Yukio Mishima e um dos seus seguidores realizaram um seppuku pœblico numa tentativa fracassada de incitar o Exército de realizar um golpe de Estado. Mishima cometeu seppuku no escritório do General Kanetoshi Mashita.


Em 1999, Masaharu Nonaka, um empregado da Bridgestone no Japão, cortou o abdómen para protestar pela sua reforma aos 58 anos de idade. Morreu mais tarde num hospital por causas das feridas. Desde então não tem havido mais casos de seppuku no país do Sol Nascente.

KEGADORU!





Kegadoru


A cidade de Tóquio é um dos locais no mundo onde as grandes revistas de moda e tendências têm os seus “olheiros”, usando uma terminologia futebolistica. Harajuku é um desses locais onde podemos encontrar modas tão extremas quanto estranhas e grupos sociais dos mais variados. Das Ganguro às Gothic Lolitas tudo é permitido.



É sabido que a moda no Japão destaca-se por iniovar, onde facilmente um mero objecto do dia-a-dia pode-se transformar num acessório indispensável para se estar na moda, basta para isso uma figura pública, um desenho animado ou uma “idol” usá-la. Há uns anos atrás em Akihabara (a cidade eléctrica) e o paraíso para qualquer otaku vê nascer uma nova moda/estilo de representação de algumas das “idols”.


Jovens passeiam pelas ruas com ligaduras, vendas nos olhos e pensos, como se estivessem feridas. A esta nova tendência deram o nome de Kegadoru, palavra aglutinada de “kega” (lesão) e idoru (idolo), que podemos traduzir para português como “ídolo lesionado”.



Para muitos pode parecer estranho, mas quem está familiarizado com o universo do anime facilmente se lembrará quem em 1995 Ayanami Rei (neon genesis Evangelion), uma das personagens mais carismáticas da animação japonesa, usou uma ligadura vendando um dos olhos, por isso, esta moda pode ter começado por essa altura, numa primeira forma como cosplay e aos poucos foi-se tramsformando numa autêntica moda, tornando as ligaduras, os pensos e as vendas num acessório essencial.



Nada é deixado ao acaso. Aparentemente também as cores das ligadoras têm o seu papel nesta moda. O branco simboliza a castidade e a virigindade e o preto como sempre é sinónimo de lado negro da moda.



Para os psicólogos, esta nova faceta feiticista do mundo otaku é uma evolução normal. Com efeito, desde do aparecimento dos otaku, a mulher sempre foi representada como frágil e fraca. Inicialmente lolita, e agora aleijada. Na história recente dos otaku, os homens sempre tiveram o bonito papel: mestre e protetor.